quinta-feira, 31 de outubro de 2013

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Snow Patrol em São Paulo - Turnê Fallen Empires


Presenciei ontem uma experiência única: assisti ao show da banda norte-irlandesa Snow Patrol, conhecida mundialmente pelo tocante hit Open Your Eyes. A oportunidade tornou-se singular pelas condições em que aconteceu...

Ganhei dois ingressos em um concurso cultural de frases promovido pela revista Rolling Stone Brasil. Sob o desafio de explicar e apontar qual música eu mais esperava ouvir, eu criei a frase abaixo:



Fiquei muito feliz com o resultado, pois realmente queria curtir ao vivo essa canção que tanto faz sentido para mim. Conheci Snow Patrol em 2008, com o disco Eyes Open. Na época, presenteei Danilo (que ainda era somente um amigo muito chegado) com uma cópia do álbum e escrevi a letra da “minha” música em uma carta para ele, pois passava por uma fase de escuridão e necessitava abrir os olhos para a vida.

Ele abriu, me viu e agora, como um casal, prestigiamos a apresentação da banda no Credicard Hall. Gary Lightbody e seus companheiros subiram ao palco ao som de Hands Open, seguida de Take Back The City, duas das mais agitadas do repertório, que incluiu ainda canções do novo álbum, Fallen Empires, e sucessos como: Run, Chasing Cars e You Could Be Happy. Do disco novo, destaco a dançante faixa homônima, o hit Called Out In The Dark e a romântica Garden Rules – que até então não havia sido tocada na América do Sul.




Para muitos críticos musicais entendidos do assunto, o show foi considerado morno. Outros críticos nem tão entendidos consideram a banda toda morna. O simpático vocalista até chegou a aconselhar um homem a se acalmar, sugerindo que ele estava no show errado. Não tenho propriedade para julgar estilos musicais e termos como rock, pop e indie. Mas, o concerto atendeu a todas as minhas expectativas: uma bela voz, uma banda em harmonia, letras com muito sentimento e visão politizada da realidade atual, além de uma projeção técnica que foi um show à parte. Estes atributos, somados à boa companhia, tornaram o dia 10/10 inesquecível. Valeu, Rolling Stone!

sábado, 6 de outubro de 2012

Para meu velho...

No ano em que Gilberto Gil e Caetano completam 70 anos, outro grande homem também chega a esta idade. Hoje, meu pai não comemora seu aniversário, por causa de religião. Embora sua vida não tenha sido marcada pela música ou pelo protesto, ele também é um artista. Projetou casas, maquetes, máquinas, motores e brinquedos para mim. Me ensinou a ler e a entrar no universo da leitura. Me fez imaginar um mundo melhor, por meio de sua integridade e de seu esmero. A vida nem sempre foi boa com ele, apesar de tanta dedicação. A injustiça das pessoas que tanto amou, e lhe viraram as costas. O fruto do seu trabalho tirado, por eles e pelo governo. Só desejo que descanse, a partir de agora. E que possa aproveitar o seu cantinho do céu, que construiu com tanto amor. E que conserve cada árvore e planta, regada por ele mesmo. Logo, irá embora e essas terras acabarão, eu sei. E me dói pensar nisso... Então, só tenho a desejar que consiga a paz com que tanto sonha.

O texto abaixo é inspirado nele, e para ele:

Deixa eu cuidar de você. Pare, hoje não. Hoje eu vou te proteger, deite aqui. Descanse os pés, relaxe. Tire o peso das costas, e as preocupações da cabeça. Já pensou demais: fez cálculos, projetou coisas incríveis. E viajou... quilômetros. Me fale das estradas e me conte dos hotéis e você conheceu, nem sempre a passeio. Escolha uma música: um jazz, ou somente o som dos instrumentos. Se quiser, coloco Ray Charles ou Nat King Cole.

Feche os olhos, vou te contar uma história, também sei inventar. Temos a imaginação em comum. Tanto tempo já se foi e da infância, só lembranças. E, como herança, essa paixão pelos livros. Minhas letras... queria tanto que lesse minhas palavras. Mas, sua visão já é falha. 

Então deixa... deixe-me contar algumas aventuras pra você. Quero te fazer sonhar, com animais falantes, como os tucanos professores. Já sei, vou ligar a TV, afinal, você sempre se rendia à magia dos desenhos animados.

Você, sempre criança. Vivia com brincadeiras o tempo todo, mas também não tinha medo de levar as coisas a sério. Talvez fosse uma maneira de levar a vida, tão dura e injusta com você. Esse são meus referenciais, que levo por todo lugar, mesmo que longe. Mas, hoje que estou perto, só quero aproveitar você, esta noite. Antes que durma...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Por um mundo com mais ursinhos de pelúcia e livros infantis

Monteiro Lobato tem sido tema de grandes discussões, inclusive no Supremo Tribunal Federal. Sob a justificativa de racismo, o livro Caçadas de Pedrinho e o conto Negrinha podem ser proibidos nas escolas de todo País.

Hoje, um filme de comédia foi o alvo das acusações - sob a ótica da apologia às drogas - do deputado federal, Protógenes Queiroz. 

O mundo está cada vez mais chato. Na tentativa de proibir e controlar o que sempre existiu, o que é de sua própria natureza, o homem se confunde com a própria tecnologia que criou. Tecnologia e informação, pra que? Um distanciamento de quem está próximo, para aproximar-se do que antes era desconhecido. Quanta evolução...

Eu cresci entre as estórias de Monteiro Lobato e sempre associei a Tia Nastácia a coisas boas. Imagens, cheiros e gostos povoavam a minha imaginação, que fluía de acordo com a descrição do autor, perfeitamente contextualizada, basta olhar para trás e conhecer sua própria história. Os negros viveram a escravidão e tiveram que se inserir em uma sociedade já estabelecida. Aliás, essa sociedade parece que sempre foi estabelecida, sempre estamos seguindo padrões e não permitimos a oportunidade de enxergar além de dogmas.

Quanto ao filme Ted, ainda não assisti. Mas agora estou mais incentivada pela curiosidade de saber o que fez com que um político, que já fora acusado por ter usado métodos duvidosos em sua empreitada, defendesse tão vorazmente a moral. 

 das telas do cinema brasileiro. Não aceitamos mais esses enlatados culturais americanos no Brasil.

Esse é o desabafo de um pai, que leva seu filho de 11 anos para assistir a um filme cuja classificação indicativa é 16 anos. Mas, segundo ele, o filme não seria indicado para idade nenhuma. 

Não sei o que é pior: pensar em tentativa de censura na ânsia por proibir o que sempre existiu, ou pensar que o pai-político-delegado não leu a sinopse ou sequer consiga compreender uma metáfora ou uma obra de arte. As hipóteses me desagradam profundamente...

domingo, 5 de agosto de 2012

Sob o mesmo céu



Foto: Cezar Santos




Aqui e lá
A lua está
Sob o mesmo céu
Na surpresa de um clarão
Ou no contraste
Entre sombras e luzes.
E de alguma forma
Sua energia
Revisita almas
Cansadas e distantes
Embora não separadas
O que as une é a plenitude
O brilho do inexplicável
É apenas a saudade
Se fazendo lembrar...



segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sobre o tributo



"Digam o que disserem, o mal do século é a solidão. Cada um de nós imerso em sua própria arrogância, esperando por um pouco de afeição."

Em tempos de frieza e sucesso efêmero, eis que o passado volta à tona para nos lembrar de como construímos nossa própria história. E como toda boa história, a minha tem trilha sonora, músicas gritantes sobre amor, medos, indignação e solidão.

Por muitas vez
es, Legião Urbana foi tema de momentos introspectivos, em que eu tentava me entender. Parecia que ele me entendia melhor que eu mesma. Aquele poeta, já morto, se tornava tão presente em minha vida a ponto de me fazer desejar apenas um encontro. Nunca vi Renato em ação, e dinheiro nenhum pode realizar este sonho impossível. Mas ontem, quando Wagner Moura subiu ao palco, acompanhado de Marcelo Bonfá e Dado Vila Lobos, remanescentes legionários, meu coração explodiu de felicidade. Era verdade, todo aquele sentimento guardado por tanto tempo.

A Legião Urbana existe, para mim que a conheci depois do fim, e para todas aquelas pessoas presentes, e juntas formávamos um coro uníssono. Ao longo das 26 músicas, muitos pensamentos passaram por mim. Lembranças e pessoas. E quando as duas músicas do álbum A Tempestade foram tocadas, não pude conter as lágrimas. De alívio, de emoção, de pura felicidade.

Wagner Moura desafinou, o microfone falhou, a guitarra ficou fora do compasso. Mas críticas alheias à parte, quero deixar a minha opinião sobre este evento inesquecível. Enquanto ator, ele cantou com todo o coração, com a alma, atributos dos quais estamos carentes. Ele se entregou totalmente àquele sentimento que unia todos. Wagner foi generoso, afinal, não era ele a estrela do espetáculo. Nem Dado e Bonfá. Nem a memória de Renato, sempre presente. A verdadeira Legião Urbana somos nós. E aquele show foi pra mim, foi pra cada um, que ainda faz com que nada tenha acabado.

E na saída da "aula" foi estranho e bonito, todo mundo cantando baixinho...

Sobre o show Tributo à Legião Urbana, que aconteceu dia 29/05 em São Paulo.

domingo, 11 de março de 2012

A decepção em cartaz

Ao visitar a querida Caxambu (MG) neste final de semana, tive uma desagradável surpresa. O tradicional cinema da cidade está com as portas fechadas, o que é realmente uma perda e tanto, seja pela arquitetura admirável ou pela própria cultura em si, um oportunidade dos caxambuenses de terem acesso à sétima arte.

Lembrei de duas ocasiões em que estive com Fernando Costa, proprietário também de cinemas em Juiz de Fora e Pouso Alegre, ambas em Minas Gerais. A primeira, em 2008, quando o entrevistei para uma reportagem veiculada na universidade. A última delas, em dezembro de 2011, em um breve bate papo em Pouso Alegre. Nos dois encontros, Fernando se revelou um cinéfilo convicto e empolgante. A paixão demonstrada de forma sutil constratava com a frustração em não receber incentivos para dar continuidade à sua empreitada na cidade turística.

Desde 2008, Fernando dizia que o dinheiro arrecadado com a venda de ingressos não supria os gastos, e que foi necessário retirar verbas dos outros cinemas para cobrir as despesas do Cine Caxambu. Pelo visto, não foi suficiente, entre outras coisas pelo descaso público com esse verdadeiro patrimônio cultural.

O Cine Caxambu não possui nenhum vínculo com empresas e não recebe apoio público, as únicas formas de estabilizar financeiramente e investir no resgate da história do cinema, que possui uma obra arquitetônica de 50 anos e chama atenção pelos traços clássicos. Por isso, uma saída agora será usá-lo em eventos fechados, como formaturas e casamentos. Espero que o fechamento não seja definitivo e que quando eu voltar a Caxambu, possa desfrutar desse patrimônio. Boa sorte ao Fernando e aos demais promotores da cultura na cidade.


* Fernando Costa, mais que um empresário, um cinéfilo e promotor da cultura em Minas Gerais

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Código de Conduta

Ontem, dia 16 de fevereiro. No mesmo dia que a Lei Ficha Limpa é validada pelo Supremo Tribunal Federal, chega ao fim os quatro dias do julgamento de Lindemberg Alves, condenado pela morte da ex-namorada Eloá e outros 11 crimes. Por que um fato comove a opinião popular de tal forma a serem feitas manifestações de solidariedade à família e pedidos por justiça, e o outro mal é comentado?




O que faz com que alguns assassinatos sejam colocados em evidência e explorados? São mais vendáveis, já que comovem a população. Uma população que clama em frente aos fóruns por justiça é a mesma que ignora os escândalos diários da política brasileira. Há uma voz gritante para um lado e um pensamento que se cala e se aliena por outro. Qual a diferença?


Assassinatos brutais como o de Eloá Pimentel e Isabela Nardoni trazem alguns paradigmas à tona. Tirar a vida de uma criança inocente choca sim. Mas não vejo muita diferença para os crimes em que milhões de crianças têm seus futuros comprometidos. Nesse sentido o senador e ex-procurador da República Pedro Taques é autor da proposta de incluir a corrupção na lista de crimes hediondos. Nada mais "justo".


Já a decisão do Supremo torna inelegíveis, por oito anos políticos, cassados, que renunciaram ao mandato para fugir de processo de cassação e os condenados por órgão colegiado, independente de o caso ter ou não sido julgado em última instância. Isso atinge diretamente alguns nomes, como o deputado Romário, o ex-ministro José Dirceu e o ex-governador Joaquim Roriz. E ah, guarde bem esses nomes: Cezar Peluso, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso Mello eles votaram contra à Lei Ficha Limpa.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O próximo passo

Dei mais um passo
Para onde ainda não sei.
Mas é melhor que ficar parado
Esperando
Imaginando
Agora, vida real.
E eu apegada ao que ficou
Lá trás
Lá longe
Não é a primeira vez
Mas é diferente, maior.
Mais solidão e isolamento
Mas muito mais sonhos
Agora de perto
Ainda mais pressa
De me chegar o futuro
O nosso futuro
Incondicionalmente dois.
O próximo passo
Crescer, já e hora.
E sozinha, agora
Lembro e imagino
Tudo ainda no campo das ideias
E enquanto ele não vem
Eu morro de pressa

segunda-feira, 14 de março de 2011

Link

Um novo blog, um novo espaço de ideias compartilhadas com os amigos Andrew e Cezar e com meu grande amor, Danilo. Textos que dialogam com outras obras de arte, confiram:

www.intertextualizado.blogspot.com