quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sobre o jornalismo

O texto abaixo foi publicado no editorial da edição nº 117 do "Primeira Página", o jornal laboratorial da Univas, produzido pelos alunos do 7º período do curso de Jornalismo.



“Quem sabe mais, pode mais”


A frase acima, de Gilberto Dimenstein (jornalista e membro do Conselho Editorial da Folha de São Paulo) retrata a sociedade da era da informação. Vivemos abarrotados de notícias, úteis ou não. Procuramos os meios de comunicação para ver o que acontece no mundo, em nossa cidade, ou até mesmo na casa do Big Brother Brasil.

Em um mundo onde quem pode mais é quem sabe mais, o jornalista tem o papel de ir atrás da informação, checá-la e passá-la ao leitor, ouvinte ou expectador. Ele sacia a curiosidade natural do ser humano. Não somente aquela de investigar a vida alheia, mas a curiosidade que leva ao saber, à tentativa de conhecer todas as coisas.

O jornalismo tem um papel social de extrema importância. Através dele, pode-se aprender novos conceitos, além de denunciar atos de corrupção e outros descasos com nossos direitos. Essa é uma profissão de risco. É preciso amá-la antes e acima de tudo. É difícil, sabendo que não existe verdade absoluta, nem a total imparcialidade dos fatos. Também não há nenhuma alegria em perceber que o mundo onde vivemos é cheio de violência, injustiça e impunidade. O prazer de ser jornalista é a possibilidade de descobrir o encoberto e fazer valer o direito que todos possuímos: o da informação.

Mais que uma escolha profissional, o jornalismo é uma opção de vida. É utilidade pública e deve contribuir para as causas sociais. Se o jornalista não pode dar boas novas sempre, pois seu papel é mostrar a realidade, ele pode fazer da sua profissão uma arma de denúncia e prestação de serviços.

Essa explicação do jornalismo pode soar um tanto idealizada para alguns, aqueles que acham que como toda profissão, visa somente o lucro. Como só escrevi aquilo que acredito, apresento a edição nº 117 do Primeira Página (PP), um jornal laboratorial que procura apresentar um outro olhar para os fatos que circulam todos os dias. O nosso diferencial é exatamente a fuga das notícias “quentes”, aquelas que vemos na TV, jornais e internet. O fato de o PP ser mensal também permite aprofundamento e maior pesquisa na elaboração dos textos.

Sabendo da responsabilidade do nosso trabalho e do prazer que o mesmo proporciona, espero que você possa aproveitar todas as linhas desse PP. Nas reportagens dessa edição, há dose de euforia comum aos quase formados, desejo de agradar a todos, embora saibamos que é impossível. E claro, existe um cuidado especial com aquele que pode ser nosso leitor ou, futuramente, nossa fonte de informação: você. Como já disse, a verdade absoluta é utópica, mas afirmo sem medo de errar: é muito bom escrever pra vocês!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Uns dois gatos




Sem explicações sobre a satisfação de ver em desenho, uma viagem da cabeça. Obrigada mais uma vez Valmir, por acreditar em mim e tornar real o que eu acho que é loucura. Obrigada também Dan pela parceria no texto. Muito feliz em ter a primeira poesia ilustrada...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Vida eterna





Poesia de encerramento de "Conversas Soltas no Tempo"...
O texto é meu e a diagramação do amigo Valmir Santos

terça-feira, 7 de abril de 2009

Quarto 207

Branco: Sensação enorme de pureza e paz. Mas ele não sentia nada disso. O branco só trazia a sensação do desespero e do aprisionamento. Olhava impotente para todos os lados e os grilhões invisíveis o atemorizavam. Quatro paredes brancas e vazias. Somente as rachaduras diferenciavam o ambiente quase homogêneo. Também havia um quadro. Nem grande, nem pequeno. Médio mesmo, desses que ninguém repara. Talvez feito em série por um artista qualquer. Um desenho simples. Uma mesa e um vaso de flor, nem era tão colorido assim. Ele passava horas observando a tela. Imaginava a vida daquele pintor. Será que ele sabia o destino dos seus quadros? Acabar em uma parede friamente branca, sem vida. Um artista merece mais que isso, merece reconhecimento. Ele pensava enquanto os dias se arrastavam. Nenhuma visita no primeiro mês. Quantos ainda passariam para a total liberdade? Ele indagava se consegueria sobreviver ao terrível teste da sanidade. O maldito branco que o atormentava agora era a salvação. Os homens de branco cumprindo o seu dever. Mais remédios e um pequeno sinal de avanço. Até quando? Aquela cor não saía de sua pobre cabeça. Aquela que origina todas as outras cores e que antes trazia luzes e brilho. Hoje, somente o desespero. Não tinha mais esperanças e deixara há tempo de sonhar com a cura. O que esperar do mundo e daqueles que julgava como amigos? Ele agora está sozinho. Conta apenas com as regras do lugar. Refeições com hora marcada. Duas mulheres com belos sorrisos passam a falsa sensação de tranquilidade. "Vai ficar tudo bem", elas dizem para o confortar. Mas ele sabe que não será assim. Ele conhece o seu coração e as suas vontades. Prefere ficar calado a frustrar aquelas belas mulheres de branco, que apenas fazem o seu papel. Ora uma velha senhora, cansada no turno da noite. Ele já ouviu várias vezes que falta pouco tempo para a aposentadoria. De manhã, uma jovem vem trazer o café e abrir a janela. Ela também tem esperança, mas não de descansar. Luta ansiosa por um futuro promissor. Dois empregos diferentes e a tão sonhada faculdade. Último semestre de estágio. Depois a formatura e o crescimento profissional. Expectativas. E para ele, o vazio. Nem trabalho, nem diversão. Nada. Ele segue deitado enquanto a vida corre. Destino merecido ou oportunidade negada? O pensamento volta mesmo contra a vontade. Poderia ser diferente. Talvez se ele quisesse enxergar as cores de verdade. Mas ele escondia o azul do céu com as cortinas do apartamento. Fugia sempre do brilho do sol. Deixara de suar com o trabalho. Não via há tempo o verde da grama do parque que costumava ir com os amigos da faculdade. Perdera até o vermelho vivo do batom da noiva. O preço de uma escolha. "Ele quis assim", todos diziam. Ele sabe que escolheu o branco. Preferia imaginar as cores psicodélicas a viver as foscas cores da realidade. Mas toda viagem tem sua partida e sua chegada. Começo e fim. E o dele é lá. Naquele quarto branco, com poucos móveis, sem televisão. Uma cama simples com lençóis impecavelmente brancos. O quadro e vários livros, todos já lidos. Ele quer mesmo é ler o que está naquela ficha branca, pregada nos pés de sua cama. Do seu campo de visão, dá apenas pra perceber que o papel branco, também é grande e dá a impressão de dureza. Talvez um tipo de papelão. Imaginar, é só isso que ele faz. Imagina o que está fora do quarto, imagina a vida que poderia ter levado. Não consegue não criar suposições. Não há mais certezas, é tarde demais.
*Texto escrito em 06/04/2009. Saí um pouco da linha da poesia, talvez venham mais textos neste estilo.