domingo, 31 de maio de 2009

Crenoterapia: Banho de saúde e bem estar

Rios, córregos, estâncias hidrominerais e as enchentes casuais. O Sul de Minas é conhecido nacionalmente por sua água. Desde cedo, acostuma-se com a presença do elemento existente em grande quantidade no planeta chamado Terra. Ela sacia a sede, refresca o corpo em dias de calor, e é usada na limpeza da casa, roupas e carros. A água está presente até nas brincadeiras de infância, mas poucos sabem que ela também cura. A crenoterapia é a técnica que utiliza as águas minerais medicamentosas, como ajuda no tratamento de algumas doenças.

Esta terapia vai além dos copos de água ingeridos, pois também pode ser feita através dos banhos de imersão, aplicação de duchas, inalações ou até mesmo da irrigação interna. O diretor do Parque das Águas de Caxambu, Gilberto Rossi, avisa que é preciso pesquisar antes de tomar qualquer água, já que cada tipo possui uma composição físico-química diferente. “A fonte Duque de Saxe, por exemplo, é bicabornatada, age no pâncreas e no fígado”, diz.


A cidade é o único lugar do mundo a concentrar em um só local, doze tipos de fontes de água mineral com propriedades diferentes. Hipertensão, problemas de pele, intestino e rins são algumas das doenças que as águas de Caxambu podem ajudar a curar. A paciente mais famosa visitou a cidade ainda no tempo do Império. A Princesa Isabel, acompanhada do marido Conde d’Eu, buscava a cura de sua infertilidade. Através das águas ferruginosas da fonte, hoje denominada "Princesa Isabel e Conde d'Eu, ela curou-se de sua anemia e engravidou.

Isabel Silva, homônima da Princesa, também não podia engravidar, por causa de cálculos renais. Um nefrologista recomendou a crenoterapia como complemento do tratamento e depois de alguns meses, ela estava curada. O marido, Genilson Ribeiro, também faz uso das águas minerais. “Sempre usei água da fonte Viotti, mas foi através do problema de minha esposa que pude ver como a água é realmente curativa”, diz o maitrê que reside na cidade.


O administrador Alceu Pinheiro, de 84 anos, mora no Rio de Janeiro, e frequenta Caxambu há 56 anos. Ele tinha colite, uma inflamação do intestino, e estava em tratamento médico, sem resultado satisfatório. Foi atendido no Balneário, do Parque das Águas, e fez uso contínuo da fonte Viotti por vinte dias, além de duchas circulares. No terceiro dia, já podia comer normalmente. “Todos os sintomas desapareceram por completo, a crenoterapia é uma realidade. Cheguei a Caxambu em janeiro de 1953, por indicação de uma tia, à época frequentadora assídua desta encantadora cidade”, diz.

O químico Márcio Ferreira diz que além das composições naturais da água, é necessário verificar outros fatores, como a temperatura. “O banho quente provoca relaxamento, até certa moleza. Já no banho gelado, o ritmo respiratório aumenta e fica mais ativo. A propriedade térmica da água provoca diferentes reações no organismo”. Ele afirma ainda, que para pessoas que sentem dores físicas, uma fonte de água quente é a melhor opção. “Ela é chamada de hipertermal, a temperatura fica acima de 40ºC”, completa.

Gilberto afirma que a água pode perder a propriedade com o tempo. “O gás é volátil, então ele sai da água. Tem que beber direto da fonte, aí se obtém o efeito curativo, porque se ingere o gás também”. A Universidade Federal de Lavras, em convênio com o Parque das Águas, estudará uma forma de prolongar o efeito medicinal da água. Ele diz também que o Balneário Hidroterápico será reinaugurado em dezembro, após uma reforma. Além das melhorias na estrutura física, o local ganhará novos equipamentos como banheiras, inaladores, mesas de massagem e limpeza facial. Os banhos famosos no passado terão novas tecnologias, vindas do exterior. “Duchas escocesas e banhos turcos. Não tem balneário com todos esses equipamentos juntos no Brasil”, completa o diretor do Parque.
* Reportagem desenvolvida para o "Primeira Página", jornal laboratorial da Univas

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Conivência diagramada




* Essa é a primeira poesia que ganha minha diagramação. Amadorismo e pretensão. Quem sabe a última, ou a primeira de muitas...


Carta a Renato Russo

Aloha Renato,

Perdoe-me, primeiramente. Confesso que te desobedeci. Deixaste tão claro, tão certo. E assim mesmo, chorei. Chorei quando foste embora, e ainda lamento todas as noites. Justo você, a voz da legião urbana. Legião de jovens, hoje calados, sem sonhos, nem ideais. Mas ainda é cedo pra dizer que tudo foi tempo perdido. Pergunto-me então. Por que voaste pra tão longe?

Ah, Renato... Tinhas mesmo que me negar um dia perfeito? Poderíamos passear em Boa Vista, Angra dos Reis ou em uma metrópole qualquer. Mas não, deixaste-me só. A invejar, mesmo que quase sem querer, os teus personagens eternos. Não sou Mônica, nem Clarisse. Sou só alguém que ainda espera a tempestade passar.

Talvez um dia a gente se encontre. Aí, quando você voltar, subiremos a montanha mágica e sentiremos lá de cima, todo o vento do litoral... Desenharemos os barcos com pedaços de giz. Por enquanto, estou colhendo as flores do mal. Hoje a noite não tem luar e continuo vivendo no teatro dos vampiros. Peço que não te demores, Renato. Voltes antes das seis para que aproveitemos toda a noite ainda. Pelas ruas, fugindo dos soldados.

Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? O mundo anda tão complicado, meu caro. Acho que estamos perdidos no espaço. Estamos lendo o teorema dos índios. Juventude sem escola, crianças mortas. Pais e filhos vivendo feito Daniel na cova dos leões. Há bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo, mas agora nem sabemos que país é este. A nova ordem é o bom senso. A doce música urbana está desarmônica. Barulhos nada melódicos.

Escrevo-te para me escapar o tédio, a química das quatro estações. Há tempos vivo em duas tribos. Metal contra as nuvens das sete cidades. Espero que essa sereníssima carta chegue às tuas mãos antes do sol bater na janela do teu quarto. Escrevo direto do espírito, a chave para o redescobrimento do Brasil.

Não peço nada para o meu sagrado coração. Só peço que os anjos te encontrem com esses pedaços de papel, talhados por estiletes de tamanhos diferentes. Só por hoje, quero que eu seja a fonte de teu ser. Que ainda nos encontremos em mais 29 vidas. Contaremos nossa história no livro dos dias e ainda vamos fazer um filme. Talvez uma comédia romântica de toda essa perfeição.

Envio a você algumas linhas de uma grande cumplicidade. Apenas uma parte dos mil pedaços que ainda guardo. Mais uma vez, com a certeza que estarás um dia esperando por mim.


Com amor imperfeito
Andressa

1º de julho, dezesseis, 1965. (O dia em que os marcianos invadiram a Terra)
Monte Castelo (A terra do equilíbrio distante)
Via-láctea (Uma outra estação)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Há algum tempo...

Não foi ontem, nem mês passado. Já faz um bom tempo que eu via aquelas coisas. Parece loucura, eu sei. Mas eu não estava aqui, não nesse mundo. Acho que eu morava em alguma página de um bom conto de fadas. Talvez eu tenha passado uma estadia no “Sítio do Pica-pau Amarelo”, pois me lembro muito bem do “minotauro”. Fora uma difícil luta, aquela dentro do labirinto. Não, não. Um livro não é um bom lugar para se morar muito tempo. Já sei, eu estava dentro da TV. Direto do “Mundo da Lua” pra dentro do “Castelo Rá-tim-bum”. Mais cores, mais efeitos. Vida agitada essa...
Eu via fadas, gnomos, unicórnios. Muitos seres habitavam o meu país, muito antes de eu conhecer “Harry Potter”. Subia em árvores, brincava na terra. Guerras? Só de laranjas... Ah, a minha bicicleta. “Eu quero uma Caloy rosa, mãe. Daquelas que tem cestinha na frente”. Incrível como ela não entendia que a cesta era essencial. “Como assim pra que eu preciso de uma cesta, mãe?”. Será que ela não sabia mesmo? Responda então, onde eu iria guardar as minhas maçãs colhidas? Onde eu levaria o meu pote de ouro pra entregar aos meus amigos da vizinhança? E os meus livros? Meu Deus, o que faria eu quando me cansasse e deitasse em alguma grama no meio do caminho? Ah, mãe... Como você é ingênua...
Que saudade da minha casa. Não do chalé, por enquanto. Saudade da minha casa, a minha mesmo. Os meus móveis de madeira feitos pelo meu avô português. Tinha mesa, um jogo de cadeiras. Sofá, cama, e até televisão. Horas e horas brincando no meu lar. Imaginava tanta coisa, muitas situações inteiras. Aliás, hoje não é tão diferente assim. Só mudaram os personagens...
Personagens de histórias encantadas. Cada dia, uma diferente. Antes que eu dormisse, meu velho pai sempre me contava alguma. “Carmelo, o camelo”. “O professor Tucano e seus alunos”. Que imaginação, hein? Você teria um bom futuro como escritor infantil. Mas não, nenhuma história por escrito, nada fora registrado. A mágica acontecia quando as palavras saíam de sua boca... Bastava isso!
Meus amigos, os livros. Hobbie conhecido bem cedo, 5 ou 6 anos de idade. Apaixonei-me pelo “Pequeno Príncipe” quando nem ao menos conhecia o significado da palavra “relva”. Mais uma vez, a ajuda do meu incentivador. Meu pai, meu dicionário. Nossos passeios pela Biblioteca Municipal. A ajuda essencial da eterna amiga Genilda. De três livros permitidos por vez, nós levávamos dez para casa. Às vezes, doze. “Ana Maria Machado”, “Monteiro Lobato” e minha paixão por “Ziraldo”. Meu melhor amigo? “O menino maluquinho”, claro.
O sítio é um caso a parte. Muitas tardes assistindo à primeira versão, na companhia ainda de Suzana. Mulher de paciência, viu?! E muita, muita... Eu, criança hiperativa. Ela, destinada impostamente a cuidar de mim. Coitada... De alguma forma, sei que ela participava do meu mundo, das minhas histórias. A minha agenda programada, em que as únicas atividades eram andar em volta de minha casa. Os banhos no tanque, as experiências científicas aprendidas com o amigo “Beakman”, os machucados, as “artes”.
“Menina arteira”, dizia ela. Vó Cândida, a mulher mais bela desse mundo... Cartas de uma criança a uma avó que desconhecia as letras. “Feliz dia dos avós”, “Obrigada por fazer doce de leite para mim”, “Eu te amo”. Frases curtas, frases do coração. É, vó. A sua neta mais velha ainda gosta de “artes”. Vive hoje da poesia e dos textos. Arte escondida, camuflada, implícita. Agora: muitas palavras, frases longas. Sem a beleza da ingenuidade infantil, mas ainda com a mesma espontaneidade, eu garanto.
Penso hoje nesse tempo que se foi. Nostalgia, que bobeira! As memórias ainda duram no coração, mas as palavras são as formas de mantê-las vivas e úteis. Letras, palavras, frases, meu primeiro livro. “A máquina do tempo e o mundo do duende da luz”. Título pretensioso, não é mesmo? Um mundo só meu, um mundo inventado. Um dia alcanço Tolkien e o Condado.
Vou-me embora agora. Não para “Pasárgada”, pois hoje em dia, não tenho mais amigos reis. Não viro detetive, nem tento desvendar os mistérios de “Marcos Rey”. A “Série Vaga-lume” e a “Tia Nilza”. Professora de português, uma grande utilidade. Sim, os sonhos são meus. Mas desde esse tempo quase esquecido, tenho no meu caminho muitas pessoas. Pequenos gestos que serão lembrados para sempre. Adultos que acreditavam nos meus ideais, nas minhas palavras. Hoje, escolhi as mais simples. Nada poético... Sem rimas, nem as métricas do texto jornalístico. Regras deixadas para trás. Não é uma dissertação. São frases puras, soltas. Pensamentos e lembranças. Como sempre, uma viagem. A uma terra distante, em um tempo diferente. Minha infância, meus amigos de sempre. Apenas um “Muito obrigado” pelo incentivo constante. Ainda tenho sonhos sim, podem ficar tranquilos. Meus livros ainda serão publicados. Por enquanto, ainda muito amor. Continuo atendendo a tudo sonhando, escrevendo. Divagações? Muitas... Todas vindas do coração.