terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sangue, suor e lágrimas

Descobri que não valemos nada diante de algo ainda mais frágil do que nós. A vida. Um fio fraco, pronto para se arrebentar a qualquer instante. Um acidente, um descuido qualquer e pronto. Vemos-nos diante de pedaços, outrora ligados. Faltam peças que se encaixem. Faltam explicações convincentes. Sobram suspeitas mal formuladas. Por seres humanos, ignorantes e prepotentes. Só algo em comum: A dor. O medo e o sentimento ainda sem nome. Saudade? Não. Não há como sentir saudade daquilo que ainda não vivemos. A família agora se une diante de três líquidos irresolutos: Sangue, suor e lágrimas...

O sangue, uma morte inesperada. É difícil se conformar com algo tão inusitado. As incoerências... Assusto-me com mais uma contradição da vida. Um acaso inerente ao próprio ser humano. Estamos vivos, por enquanto. Assusta saber que na próxima esquina, poderemos ser interrompidos. Quem decide a hora de ir? Já estava escrito que seria assim?

Perguntas intermináveis. A cabeça gira rápido, tentando compreender a situação. Pensar cansa. Agir cansa. Ficar sem dormir, cansa. Enfrentamos frio, insônia, sol forte, caminhada. O corpo enfim tem o descanso necessário. Entrega-se, já sem suor, ao sono sem sonhos. Saída momentânea da realidade. Quando acordarmos, a dor continuará. Este é um breve intervalo.

A dor continua ultrapassando os limites físicos... Choros, sussurros, soluços. A lágrima é a expressão da alma. É o sangue incolor de um coração dilacerado.Tem aqueles que não conseguem segurar. Tem aqueles que choram escondidos. Tem os que não choram. Estes sofrem mais, acredito eu.

Somos inúteis, eu sei. O desconhecido é poderoso. Chega sem pedir, vai sem se explicar. A morte invade moradas, abre feridas... Ainda não estamos prontos para lidar com algo certo, algo da nossa natureza. Não fazemos nada certo, não sabemos nada sobre a morte. Não sabemos nem como viver...