quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Snow Patrol em São Paulo - Turnê Fallen Empires


Presenciei ontem uma experiência única: assisti ao show da banda norte-irlandesa Snow Patrol, conhecida mundialmente pelo tocante hit Open Your Eyes. A oportunidade tornou-se singular pelas condições em que aconteceu...

Ganhei dois ingressos em um concurso cultural de frases promovido pela revista Rolling Stone Brasil. Sob o desafio de explicar e apontar qual música eu mais esperava ouvir, eu criei a frase abaixo:



Fiquei muito feliz com o resultado, pois realmente queria curtir ao vivo essa canção que tanto faz sentido para mim. Conheci Snow Patrol em 2008, com o disco Eyes Open. Na época, presenteei Danilo (que ainda era somente um amigo muito chegado) com uma cópia do álbum e escrevi a letra da “minha” música em uma carta para ele, pois passava por uma fase de escuridão e necessitava abrir os olhos para a vida.

Ele abriu, me viu e agora, como um casal, prestigiamos a apresentação da banda no Credicard Hall. Gary Lightbody e seus companheiros subiram ao palco ao som de Hands Open, seguida de Take Back The City, duas das mais agitadas do repertório, que incluiu ainda canções do novo álbum, Fallen Empires, e sucessos como: Run, Chasing Cars e You Could Be Happy. Do disco novo, destaco a dançante faixa homônima, o hit Called Out In The Dark e a romântica Garden Rules – que até então não havia sido tocada na América do Sul.




Para muitos críticos musicais entendidos do assunto, o show foi considerado morno. Outros críticos nem tão entendidos consideram a banda toda morna. O simpático vocalista até chegou a aconselhar um homem a se acalmar, sugerindo que ele estava no show errado. Não tenho propriedade para julgar estilos musicais e termos como rock, pop e indie. Mas, o concerto atendeu a todas as minhas expectativas: uma bela voz, uma banda em harmonia, letras com muito sentimento e visão politizada da realidade atual, além de uma projeção técnica que foi um show à parte. Estes atributos, somados à boa companhia, tornaram o dia 10/10 inesquecível. Valeu, Rolling Stone!

sábado, 6 de outubro de 2012

Para meu velho...

No ano em que Gilberto Gil e Caetano completam 70 anos, outro grande homem também chega a esta idade. Hoje, meu pai não comemora seu aniversário, por causa de religião. Embora sua vida não tenha sido marcada pela música ou pelo protesto, ele também é um artista. Projetou casas, maquetes, máquinas, motores e brinquedos para mim. Me ensinou a ler e a entrar no universo da leitura. Me fez imaginar um mundo melhor, por meio de sua integridade e de seu esmero. A vida nem sempre foi boa com ele, apesar de tanta dedicação. A injustiça das pessoas que tanto amou, e lhe viraram as costas. O fruto do seu trabalho tirado, por eles e pelo governo. Só desejo que descanse, a partir de agora. E que possa aproveitar o seu cantinho do céu, que construiu com tanto amor. E que conserve cada árvore e planta, regada por ele mesmo. Logo, irá embora e essas terras acabarão, eu sei. E me dói pensar nisso... Então, só tenho a desejar que consiga a paz com que tanto sonha.

O texto abaixo é inspirado nele, e para ele:

Deixa eu cuidar de você. Pare, hoje não. Hoje eu vou te proteger, deite aqui. Descanse os pés, relaxe. Tire o peso das costas, e as preocupações da cabeça. Já pensou demais: fez cálculos, projetou coisas incríveis. E viajou... quilômetros. Me fale das estradas e me conte dos hotéis e você conheceu, nem sempre a passeio. Escolha uma música: um jazz, ou somente o som dos instrumentos. Se quiser, coloco Ray Charles ou Nat King Cole.

Feche os olhos, vou te contar uma história, também sei inventar. Temos a imaginação em comum. Tanto tempo já se foi e da infância, só lembranças. E, como herança, essa paixão pelos livros. Minhas letras... queria tanto que lesse minhas palavras. Mas, sua visão já é falha. 

Então deixa... deixe-me contar algumas aventuras pra você. Quero te fazer sonhar, com animais falantes, como os tucanos professores. Já sei, vou ligar a TV, afinal, você sempre se rendia à magia dos desenhos animados.

Você, sempre criança. Vivia com brincadeiras o tempo todo, mas também não tinha medo de levar as coisas a sério. Talvez fosse uma maneira de levar a vida, tão dura e injusta com você. Esse são meus referenciais, que levo por todo lugar, mesmo que longe. Mas, hoje que estou perto, só quero aproveitar você, esta noite. Antes que durma...